HUGO PALMA

I´ve seen it all before

Decisões tomadas: tela esticada e engradada, de seguida pintá-la – “fixar-lhe” uma imagem. Entre uma infinidade de hipóteses, opta-se por uma imagem que foi repetida, também, uma infinidade de vezes… (sabemos que uma das possibilidades na prática artística é refazer, voltar a fazer, fazer de novo, fazer diferente). Depois de definida a imagem, aparentemente conseguiu resolver-se uma parte do problema. Mas o que resta que possa ser novo, diferente? A própria imagem? Sim.

Todas as imagens que já foram pintadas fazem parte de uma mesma base, da qual partimos, e na qual se estabelecem relações entre todas elas.

Vamos acrescentar outra, que, na verdade, tem origem em todas as outras, mas que não pode coincidir com nenhuma delas - nem nunca conseguiria fazê-lo. A pintura pode ser um trabalho sempre igual, mas sempre incompleto. É sempre a mesma pintura que pintamos, mas que se revela numa imagem sempre diferente - porque o tempo de cada uma delas é, igualmente, sempre diferente.

Tarefa impossível, que nunca se concretiza.

Continua sempre.

HP - 2017